domingo, 13 de maio de 2018

A Costureira

Tenho uma bermuda muito boa, exceto por dois problemas: os dois bolsos da frente sempre estão furados ou prestes a rasgar. Já foram consertados, mas sempre voltam a furar. Todo dia eu passava por uma rua onde uma senhora parecia morar, trabalhar e fazer o que gostava: costurar. Ela e sua máquina ficavam posicionadas exatamente no meio da sala que também fazia de ateliê. Ficava sentada de frente para a rua, com sua máquina de costurar. Esta ficava entre a senhora e a rua. Passei inúmeras vezes na frente daquele lugar no meu caminho diário. Percebi que ela nunca abria a noite, no máximo até o meio da tarde; também nunca muito cedo, mas quase sempre abria. Nas minhas idas e vindas pensei várias vezes em levar a bermuda para consertar os bolsos; até parei e perguntei quanto que custaria fazer o reparo; mas nunca de fato levei-a para o conserto. Hoje eu passei em frente a casa e vi que a costureira e todo o seu ateliê havia sumido, e que ali agora habitava um salão de beleza. E eu continuei com a minha bermuda e os seus bolsos furados, espero que a senhora esteja bem.

g.a.

Este texto foi escrito no dia 15 de abril de 2018.

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