terça-feira, 29 de agosto de 2017

Nunca pare na pista

não quero desistir
mas não sei o que devo fazer.
eu quero continuar
meus ânimos se esgotaram
talvez por falta de estímulo
não por falta de apoio
mas pela ausência de caricia no ego
talves fosse isso, a necessidade de se sentir melhor
mais que melhor, superior.
nada que você faz agora,
nada,
nada importa, mas
Nunca pare na pista
Nunca pare
Nunca
Agir te torna vivo
É sempre melhor estar vivo do que estar morto.
O único impossível da vida é parar.

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Ele foi

Foi porque era a única opção.
Não que fosse, de fato, a única
Mas era única para ele,
Assim como aquele amor que passou.
Não foi único mas o único até ali.
Ele foi
Continuou indo
Apoiaram-no
Parabenizaram-no pela sua ousadia
Mas nunca alguém lhe perguntou se aquele era o caminho certo
Nem ele mesmo sabia, como que iria saber?
Nunca deixaram-no solto, vivia em um ambiente controlado
O estranho é: sempre foi tão confortável, tão bom
Estar ali, rodeado, tendo o ego acariciado
E ele foi
Foi bem longe
Tão longe que nem mesmo ele pôde imaginar onde iria chegar.
Foi bem recebido.
E ali, bem longe, percebeu o que havia perdido tempo.
Ele foi e gostou,
Gostou muito.
A princípio, hesitou,
Como quem coloca primeiro um dos pés na água de uma piscina gelada.
Mas notou que, assim como a piscina gelada, aquele frio o atraía.
E como isso em mente, mergulhou.
Mergulhou de cabeça em um mundo diferente daquele que vivia
Se sentia tão bem ali,
Apesar do frio e das vezes que engoliu água,
Gostava dali.
Era bom.
Era muito melhor que tudo que tinha acontecido até ali.
Se sentia vivo, como nunca havia estado antes.
Ele foi.
Viveu o inimaginável.
Não acreditaria se lhe contassem tudo aquilo que estava acontecendo,
Não acreditaria se ele mesmo lhe contasse.
Impossível.
Durante a jornada, adoeceu.
Um vírus, adormecido dentro dele, acordou com toda aquela agitação.
Ele tomou uns remédios e passou,
Mas nunca se curou de verdade,
Sempre havia aquele pigarro.
Disfarçava a tosse, achava que ninguém iria perceber.
Se enganava.
Evitava até pensar na doença,
Não queria acordá-la.
Essa doença, na verdade, era um ideia;
Que, como um vírus,
Altamente contagiosa e resiliente,
Sempre retornava.
Retornava para atormentá-lo.
Ele foi,
Mas percebeu que não tinha a menor ideia para onde estava indo
E não gostava da ideia de que tudo aquilo que percorreu foi em vão.
Entretanto, era o que parecia.
Essa era a ideia, esse era o vírus.
Lhe doía pensar que precisou ir tão longe para saber que estava perdido,
Já era muito fundo, tudo era escuro.
Talvez nem fosse possível retornar à superfície,
Não tinha forças para emergir,
Se afogaria antes que conseguisse.
Ele foi,
Continuou indo,
Continuou mesmo sem saber se estava indo pelo caminho certo.
Mas continuou mesmo assim,
Na esperança de que
No caminho,
Ou no fim,
Encontrasse o remédio que curasse a sua doença.


g.a.
02:58