quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Continuemos

Continuemos a andar
Só nós.
Sozinhos nós vamos longe
Vamos lembrando um do outro
Se ajudando
Se amando
Se cuidando
Nós vamos.
Vamos bem longe
Você acha que não vai conseguir, mas vai
Veja onde já chegamos,
Veja onde nós estávamos,
Calma
Me empurre pra frente
Que te ajudo a subir
Continuemos a nos ajudar
Nós estamos só começando.

domingo, 15 de outubro de 2017

Ansiedade

To bem cansado daqui apesar de tudo ao meu redor estar muito bom.
Cansado não, apreensivo.
Como se algo ruim estivesse prestes a acontecer, como se fosse a calmaria que precede a tempestade.
Como se isso tudo que ta acontecendo ao meu redor fosse desabar a qualquer momento.
Como se o peso de tudo aquilo que eu falo, faço e até penso fosse finalmente ser cobrado de mim, cobrado em ouro.
Parece que contraí uma dívida crescente que parece não ter fim e não tenho a menor ideia de como vou pagá-lo.
Não tenho a menor ideia a quem pagá-lo.
É um monstro invisível que a qualquer momento vai saltar das profundezas e me desmascarar, me pôr abaixo.
E ali, naquele ato, irá me destruir, acabar comigo.

domingo, 3 de setembro de 2017

Novas conexões

Nós somos formados por quem está ao nosso redor.
O engraçado é, a medida que vamos conhecendo novas pessoas e nos identificamos com diferentes grupos, e criamos novas conexões, sentimos que algumas delas nos faltam.
Algumas das conexões ainda precisam acontecer.
Você sente isso,
Seu peito clama por isso,
Sua mente te atormenta,
Sua respiração muda,
Seu corpo sente que precisa disso.
Mais engraçado ainda é ser capaz de sentir essa necessidade de se conectar mesmo antes de conhecer quem estabelecerá essa conexão com você.
É bonito pensar que algo tão específico e intrínseco seja capaz de te apontar para outra pessoa. Que algo tão pessoal te faça querer conhecer outra pessoa.
Alguém a quem você irá se conectar por aquele primeiro canal e que talvez ele seja o primeiro de muitas outras interações.
Talvez não. E tudo bem, se não.
Ou talvez esse meu eu ainda é muito ingênuo de achar que toda a conexão que sinto necessidade, irá acontecer. Será possível 'estabelecer uma conexão com sucesso'.
Mas não é dessa forma que o mundo funciona.
Ainda assim, continuo.
Continuo porque nada me faz mais vivo do que a ideia de poder me conectar com quem necessito. Ou de ter a felicidade de poder ser a conexão que faltava na vida de alguém.

g.a.

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Nunca pare na pista

não quero desistir
mas não sei o que devo fazer.
eu quero continuar
meus ânimos se esgotaram
talvez por falta de estímulo
não por falta de apoio
mas pela ausência de caricia no ego
talves fosse isso, a necessidade de se sentir melhor
mais que melhor, superior.
nada que você faz agora,
nada,
nada importa, mas
Nunca pare na pista
Nunca pare
Nunca
Agir te torna vivo
É sempre melhor estar vivo do que estar morto.
O único impossível da vida é parar.

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Ele foi

Foi porque era a única opção.
Não que fosse, de fato, a única
Mas era única para ele,
Assim como aquele amor que passou.
Não foi único mas o único até ali.
Ele foi
Continuou indo
Apoiaram-no
Parabenizaram-no pela sua ousadia
Mas nunca alguém lhe perguntou se aquele era o caminho certo
Nem ele mesmo sabia, como que iria saber?
Nunca deixaram-no solto, vivia em um ambiente controlado
O estranho é: sempre foi tão confortável, tão bom
Estar ali, rodeado, tendo o ego acariciado
E ele foi
Foi bem longe
Tão longe que nem mesmo ele pôde imaginar onde iria chegar.
Foi bem recebido.
E ali, bem longe, percebeu o que havia perdido tempo.
Ele foi e gostou,
Gostou muito.
A princípio, hesitou,
Como quem coloca primeiro um dos pés na água de uma piscina gelada.
Mas notou que, assim como a piscina gelada, aquele frio o atraía.
E como isso em mente, mergulhou.
Mergulhou de cabeça em um mundo diferente daquele que vivia
Se sentia tão bem ali,
Apesar do frio e das vezes que engoliu água,
Gostava dali.
Era bom.
Era muito melhor que tudo que tinha acontecido até ali.
Se sentia vivo, como nunca havia estado antes.
Ele foi.
Viveu o inimaginável.
Não acreditaria se lhe contassem tudo aquilo que estava acontecendo,
Não acreditaria se ele mesmo lhe contasse.
Impossível.
Durante a jornada, adoeceu.
Um vírus, adormecido dentro dele, acordou com toda aquela agitação.
Ele tomou uns remédios e passou,
Mas nunca se curou de verdade,
Sempre havia aquele pigarro.
Disfarçava a tosse, achava que ninguém iria perceber.
Se enganava.
Evitava até pensar na doença,
Não queria acordá-la.
Essa doença, na verdade, era um ideia;
Que, como um vírus,
Altamente contagiosa e resiliente,
Sempre retornava.
Retornava para atormentá-lo.
Ele foi,
Mas percebeu que não tinha a menor ideia para onde estava indo
E não gostava da ideia de que tudo aquilo que percorreu foi em vão.
Entretanto, era o que parecia.
Essa era a ideia, esse era o vírus.
Lhe doía pensar que precisou ir tão longe para saber que estava perdido,
Já era muito fundo, tudo era escuro.
Talvez nem fosse possível retornar à superfície,
Não tinha forças para emergir,
Se afogaria antes que conseguisse.
Ele foi,
Continuou indo,
Continuou mesmo sem saber se estava indo pelo caminho certo.
Mas continuou mesmo assim,
Na esperança de que
No caminho,
Ou no fim,
Encontrasse o remédio que curasse a sua doença.


g.a.
02:58




quarta-feira, 26 de julho de 2017

Sede

Era quinta e, apesar de estar de férias, ele resolveu ir com um amigo até o bar próximo à universidade. Este tinha aula, aquele não, mas ambos desistiram dos cigarros foram para aula. Blocos econômicos, maçante para alguns, mas não para Elon, a mente dele tinha sede de informação - esse era seu mal, sua ruína e sua virtude - tinha uma sede que parecia não cessar. Saíram dali só no fim, chuviscava um pouco naquele fim de tarde.
Um deles conhecia um restaurante francês liderado por uma turca, a dona; uma cozinheira de mão cheia, segundo Leite - não se sabia ao certo porque, mas ele atendia por esse nome. Dirigiram até lá. havia um congestionamento mas nada fora do normal para a hora, a chuva continuava, o limpador do para-brisa estava ruim. Comeram.
Elon escolheu um para levar para viagem, lembrando de sua irmã, mas ela reclamou:
- Muito insossa essa comida falta, pimenta.

Elon não demorou muito em casa, iria visitar seu sobrinho que acabara de mudar-se para um novo apartamento. Ele, seu sobrinho, seria pai dali alguns meses, estava começando uma vida com sua parceira; por isso - não só por isso, ele sentia saudade do sobrinho - foi fazer a visita.
- Qual o endereço? - Perguntou Elon.
- Ok, daqui a pouco chego aí.
Realmente foi rápido, dirigiu por pouco tempo, o novo lar foi fácil de encontrar. Com certeza, ninguém pretendia se esconder do mundo ali. Elon era novo, apesar de ser tio. Daniel, apesar de sobrinho, era quase da idade de Elon, desde sempre se deram muito bem.
Estavam presentes Daniel e sua parceira, Marina, Elon e Pedro, um amigo de infância de Daniel. Chegando lá, abriram-se cervejas, a conversa flui, todos interagiam entre si mas, eventualmente, Daniel e Elon se viam conversando mais entre si, o mesmo acontecia entre Marina e Pedro. Conhecendo Elon como só ele conhecia, Daniel propôs que fumassem um, fumaram. Foi uma onda muito calma e emotiva, lembraram da infância, como que a pouco eram crianças e agora, no caso de Daniel, pai.
- Quando for fumar em casa, beba algo, hidrate-se. - disse, Elon - de preferencia qualquer bebida que não seja alcoólica.
- Tem razão, nunca parei pra pensar nisso. - respondeu.
- É as vezes a gente se descuida mesmo, mas é bom, sempre faço.
- Pô, obrigado pela dica, sério. - agradeceu Daniel.
- Relaxa, os mais velhos estão aí para isso, preste sempre atenção ao que eles têm para falar, a vivencia muito enriquecedora para as pessoas. Nossa mente funciona como um computador, posso não saber qual a explicação fisiológica para isso, mas sei que faz bem.

Já era noite há algumas horas, quando saiu de lá, não foi para casa. Elon não queria ir para casa naquela noite, e o fez. Saiu do seu sobrinho rumo a um karaokê, ambiente que sempre lhe era amigável lá estavam algumas amigas e amigos, de diferentes datas, diferentes perspectivas e momentos, mas que acabaram identificando-se uns nos outros.
Era um pequeno bar, havia caruru, a cerveja era gelada, não havia aperto e era eclético. Tocou de The killers a tecno brega. Já era tarde, após mais ou menos um hora depois que Elon chegou, o bar fechou. Durante esse processo, pagar das contas e o limpar das mesas, Elon foi para sua mesa e fechou um cigarro, conversou com as pessoas da mesa ao lado, ofereceram um salve, fumaram e conversaram. Seus amigos vieram, após fecharem a conta, conversaram também.

Elon não podia ir para casa naquela noite. Deu carona para Lorena, ele já a conhecia, as nunca havia conversado com ela como naquela noite, naquele bar. No caminho até a casa dela, discutiram sobre o que é a vida nômade daqueles que escolhem (ou não) fazer morada outro lugar, diferente daquele em que nasceu, morada. Ele morava em Goiânia, ela Istambul, mas as dores e, principalmente, o aprendizado era o mesmo. Ambos estavam ali de passagem, vendo as pessoas e a cidade que tanto conhecem se esvair e renascer, renascendo dentro de si mesma, de uma forma bonita. Mas a vida é isso, é aprender que as coisas mudam, as pessoas mudam, você muda e toda a sua percepção do mundo muda junto.
Foram vinte minutos de conversa até a casa dela, mas pareceu uma eternidade, e, ao mesmo tempo, pouquíssimo. Daquelas conversas que fazem bem, dão ânimo e fôlego. Todos que tiveram uma conversa dessa sabem da sensação, ela é única.

A noite não acabou, assim como a vontade de Elon de não ir para casa. Após deixar Lorena em sua casa, foi ao encontro de um grande amigo de infância, em outro bar, o seu bar preferido. Era um bar simples, bastante simples, não havia nada demais ali além de um bom atendimento. O amigo era o Pereira, que acabara de entregar um projeto, naquela madrugada, e queria espairecer a mente. Conversaram sobre o projeto, as dificuldades, as realizações. Conheci um amigo do Pereira, trabalharam juntos nesse projeto, não lembro o nome dele, mas gostei da nossa conversa. Ele parecia ter o que falar. Duas cervejas, e a noite acabou. Despedimos.

Dessa vez, Elon retornou aos seus aposentos. E dormiu. Dormiu com a certeza de que não acordaria o mesmo. Dormiu feliz, sabendo que toda aquela noite tinha sido suficiente para matar a sua sede. Sede daquelas conversas que fazem bem, sede de pessoas, sede de informação. Ele queria poder perceber tudo o que aquela noite o oferecia, ele precisava disso como um computador precisa de bits para processar e poder fazer-se útil.

quarta-feira, 26 de julho de 2017
g.a.




Fernanda

Pele branca,
Como leite;
Cabelos pretos,
Como um café forte.
Fernanda,
Com éfe de força
Mal sabe que,
para alguém,
ela é como um norte.

g.a.