quarta-feira, 26 de julho de 2017

Fernanda

Pele branca,
Como leite;
Cabelos pretos,
Como um café forte.
Fernanda,
Com éfe de força
Mal sabe que,
para alguém,
ela é como um norte.

g.a.

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Eu sou um homem muito sortudo

Eu sou um homem muito sortudo.

Eu sou um homem muito sortudo. Nasci num 'berço de ouro'. Sou rico mas não financeiramente, sou rico de pessoas. De pessoas extraordinárias e determinadas, pessoas essas que são as mais fortes que conheci. Pessoas fortes, pessoas que já vi chorar; mas até seus prantos transmitiam força, muita força.

Eu sou um homem muito sortudo. Desde cedo fui rodeado por conhecimento e fui cobrado por isso. Cobrança essa que me levou até onde estou agora escrevendo esse texto pra você: numa varanda de um prédio em uma cidade que até certo ponto da minha vida nunca passou pelos meus planos de sequer visitar. Fui exigido, exigência essa que me formou, me esculpiu, criou em mim um escudo protetor e, com ele, eu era capaz de lidar com tudo e se não conseguisse sabia que aquele escudo estaria ali, me protegendo.

Eu sou um homem muito sortudo. Sempre fui, também, rodeado por amor, muito amor. Amor este que se fez presente em toda minha vida e, se algo desse errado, eu sabia seria amparado por ele. Com esse Amor e o meu Escudo eu era imbatível. Pelo menos achava que era.

Eu sou um homem muito sortudo. Me mudei pra uma cidade que, como eu já disse, até certo ponto nunca havia nem sonhado em visitar. Em muito pouco, muito pouco mesmo, conheci pessoas que, por algum motivo, me tratavam muito bem e riam de minhas piadas e ofereciam suas casas e seus corações, e ainda por cima gostavam do que eu fazia. Foi impressionante em quão pouco tempo que isso aconteceu. Ganhei uma nova arma para o arsenal. Novas pessoas. Novas pessoas que, por algum motivo, me acharam interessante e eu sabia a partir dali que eu poderia contar com elas.

Eu sou um homem muito sortudo, mas a sorte de uma pessoa não pode ser infinita. Eu acho que não. Não pode ser assim. Uma hora isso vai acabar, meu escudo quebrará, o emparo do amor não será suficiente, minha máscara irá cair e as pessoas perceberão que não sou tão interessante assim. Meus erros e más decisões se tornarão grandes demais e meu arsenal não será mais suficiente. Será só eu contra o mundo. Esse dia irá chegar e serei desmascarado, eu sei, mas enquanto ele não chega tenho que dar a Cesar o que é de Cesar e reconhecer que eu sou um homem muito sortudo.

g.a.

domingo, 7 de maio de 2017

Tanta coisa

tanta coisa que eu podia estar fazendo
tanta coisa que eu já faço
tanta coisa que eu não faço
tanta coisa que eu invento de fazer
tanta coisa que eu tento
tanta coisa que eu prometo
tanta coisa que eu esqueço
tanta coisa que eu esqueço que prometi
tanta coisa que eu prometo que esqueci
tanta coisa que me frustra
tanta coisa que enlouquece
tanta coisa perdida
tanta gente
tanta coisa
tanta gente
tanta coisa.

terça-feira, 25 de abril de 2017

Dia 1

terça-feira, 25 de abril de 2017

Hoje acordei cedo, 06:30 da manhã, tinha aula às 7:30. Mas voltei a dormir, logo em seguida. Acabei indo só pra aula que começava às 9:30, mas cheguei lá às 10:00. 
Me senti um merda. Foda, mais uma aula de SDL que eu faltava. Não queria faltar. Fui dormir cedo, mas não consegui levantar. O pior é que não tem desculpa, dormi cedo, eram 11 da noite quando deitei, eu acho. Fiquei vendo vídeos de carpintaria até adormecer na cama, é bem relaxante ver um cara trabalhar.
Enfim levantei, tomei banho, pus a roupa, peguei o lixo da cozinha e levei pra lixeira do prédio. Saí do prédio rumo a universidade, o caminho era o mesmo de sempre; o tempo estava bom.
Chegando na portaria, peguei uma carona com uma mulher até o prédio onde estudo. Era uma senhora, não prestei muita atenção nela, ainda estava pensando na aula que eu havia perdido. Nessa época eu estava constantemente pensando em como uma sucessão de acontecimentos poderiam atrapalhar tanto a minha vida. 

Outros dois rapazes pegaram carona conosco, fui no banco de trás. A senhora estava a caminho da sua aula de italiano, lá na universidade. Ela nos contou que estava tomando essas aulas porque iria visitar sua filha que se casou esta morando lá, no sul da Itália, região Sardegna, se não me engano. A conversa fluiu, ela lembrou de um sobrinho que fez intercâmbio através da universidade, um dos rapazes falou que dali alguns meses iria para a França, passaria 3 anos, eu só ouvi. Deixamos os rapazes, fui para o banco da frente, a conversa continuou, ela perguntou se eu não pensava em fazer intercâmbio, respondi que sim mas que haviam acabado os programas gratuitos de intercâmbio da universidade.Ela falou do governo que não está nem aí pra educação, concordei em um tom desapontado. Chegamos no meu prédio, ela me deixou em frente a entrada, agradeci e desci do carro. 

Fui para a aula. Chegando lá era de uma matéria que eu havia reprovado por muito pouco. No semestre anterior fui muito mal na primeira prova, não consegui me recuperar. Já havia feito a primeira prova deste semestre, não tinha recebido a nota ainda, mas sabia que tinha me saído bem. Quem estava dando aula era um professor substituto, doutorando. O professor da matéria acabara de ser pai, estava de licença. 

Cheguei, assinei a lista e sentei no fundo, próximo a três amigos. Nunca tinha visto-os conversando. A aula estava dispersa, eles conversavam sobre a cultura das empresas startups e como que elas funcionavam. Antes de ouvir plenamente sobre o que exatamente era aquela conversa, eu já tinha noção sobre o que se tratava. Há uma semana dali um deles havia me falado sobre uma ideia que poderia se torna uma empresa, uma boa ideia. Nessa ocasião, também, contei-lhe que eu tinha um amigo que trabalhava nesse meio de startups e que poderia ajudá-lo a tirar a sua ideia do papel. Ligando-se os pontos, lá estavam eles conversando. 
Tocou-se no assunto de que outro amigo nosso, que havia ingressado na universidade no mesmo semestre que nós - eu e o primeiro amigo, estava, naquele momento, a caminho da Alemanha para representar a sua empresa. Ela havia sido fundada quando ele estava na universidade, passou por algumas mudanças - algumas bem drásticas - e acabou crescendo. Premiada no Brasil, a empresa agora estava sendo a representante brasileira numa competição no exterior. Um orgulho ter conhecido aquele menino no começo.

Não assisti a aula inteira, o professor substituto não era muito bom. Fui para o grêmio. Chegando lá, havia alguns alunos mais antigos no curso conversando sobre a vida de intercâmbio. Parecia que neste dia o universo resolveu me lembrar continuamente desse assunto. Boas histórias.

Haveria uma reunião dali uns quinze minutos e uma promessa de 'almoço surpresa'. Eram dez para o meio dia, houve tropeiro, arroz e uns refrigerantes, estava uma delícia. A reunião foi produtiva. Aquela havia sido a reunião com o maior número integrantes do grêmio presentes, talvez porque houve comida grátis na hora do almoço. 

Ao longo do dia inteiro eu me pegava, as vezes, pensando nas mentiras que me contaram. Promessas não cumpridas que me deixavam triste, impotente. Me prometeram mentiras e eu descobri da pior maneira. Me prometeram coisas com as quais eu passei anos sonhando e mentalizando. Coisas que talvez não fossem tão boas assim, mas porra, me prometeram essas merdas. Me iludiram. E eu queria muito me iludir, mas não dessa forma, queria me iludir vivendo aquilo que eu achava que era um sonho mas descobrindo que na verdade não era nada disso. Me iludiram da pior maneira, deram o doce pra depois tirar. Foda.

Fui pra casa, pensei em passar na biblioteca para estudar por algum tempo, não o fiz, meu apartamento me parecia melhor. No caminho passei na padaria e comprei um doce que havia descoberto no dia anterior, chamava 'caçarola italiana'. Até então, nunca tinha ouvido falar, mas era uma delícia. Comprei dois. Cheguei em casa, esquentei um no microondas e fui estudar.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

saudade

Saudades

Leve falta do pessoal com quem estudei no Rio,
Bela saudade de lá
Do Rio, agora em bêagá.

Amarga saudade de casa.
Breve saudade d'Ela.

Pelas memórias não vividas, angustiado;
Em meio a pratos sujos e papéis,
Cansado.

quinta-feira, 24 de março de 2016

Viver



"Música eletrônica não é gênero nem estilo. Computadores não fazem música, circuitos eletrônicos não se expressam. Por trás de cada byte existe uma célula. Por trás de cada som existe, ou deveria existir, uma lembrança do futuro ou do passado. A música é importante! Devemos preservar, defender e dar suporte a autêntica expressão musical!"

Mas e quem produziu tal música, e quem criou a batida, quem arrepiou-se primeiro ao ouvi-la? Quem assimilou essa música a uma memória maravilhosa da sua vida? O casal que se conheceu numa festa ao som daquela música e vão levar pro resto do seu relacionamento? Quem teve enchidos os olhos de lágrimas ao ouvi-la ao experimentar um "frisson" musical que nunca havia sentido na vida?


E quem sentiu?

Todo mundo está prepotente, não conhece nada mas acha que sabe tudo. Acha que sabe de tudo, que sentiu tudo, viveu tudo, amou tudo, perdeu tudo. Tudo. Mas na verdade não perdeu, viveu, amou, sentiu. Não se fez amado, vivido, perdido, sentido.

Só viu. Só ouviu falar, só soube como é, só leu como foi.

Só viu.

Eles dizem que eu e meus contemporâneos, os "millennials", somos a geração do "viva e deixe viver". Deve ser verdade. Nós não vamos a guerra, nós não procuramos o conflito (não como eles, pelo menos). Quem sabe seja verdade (e eu espero realmente que seja) e nós percebemos que a vida é muito mais que agredir, criticar e dizer como deve ser. Mas sim, viver.

Viver.

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Dès Vu - Ficção ou Fisica Quântica

Dès Vu: O reconhecimento de que esse momento se tornará uma memória.

Vi esse vídeo aqui,
Dès Vu: The Awareness That This Will Become A Memory
E fiquei pensando:
Será que nós não estamos conectados a nós mesmo?

Digo, conectados aos nossos futuros de modo que, em pequenos momentos, seja possível perceber e sentir que você está no futuro relembrando aquela memória.
Sim, é óbvio que tudo que fazemos, deixamos de fazer e sentimos nos levará, indubitavelmente, ao nosso futuro. Mas, e se o que nós faremos no futuro afetar ao estamos a fazer agora? Ou se nós estamos - agora, no presente - mexendo no nosso passado para chegar onde estamos.
Hoje se sabe que tudo que aconteceu e vai acontecer nas nossas vidas já está "impresso" na  natureza. Não, não estou falando de destino traçado ou de cartomantes, horóscopo ou coisas do gênero, estou falando de física, relatividade, essas coisas. Tá, na verdade o destino esta traçado sim, mas de um jeito um pouco longo de se explicar que envolve a quarta dimensão (o tempo) e eu não quero fazê-lo aqui.
O que eu estou propondo (perguntando, na verdade) aqui, é algo fictício - na ótica científica, até agora. Imaginem se essa sensação, Dès Vu, é a representação de você - no futuro, lembrando do momento que você esta vivendo agora - no presente, e que isso acontece por uma representação quântica do emaranhado de "vocês" que existem no tempo-espaço ainda desconhecida no mundo científico. Assim, nesse emaranhado estamos conectados a nós mesmos, individualmente, e às vezes dadas as infinitas possibilidades de eventos ocorrendo acabamos sentindo essas sensações em pequenos momentos das nossas vidas.

É isso, imaginem. Parece loucura, eu sei, também acho, mas muitos dos gênios e visionários eram vistos como loucos. Vai saber.


A explicação de como o seu destimo, o meu e o de todo mundo já está traçado:
O futuro já aconteceu.